RUMOR, 2009
Óleo sobre papel, dimensões variadas.
Na exposição individual Rumor, Regina Parra apresenta uma série inédita de pinturas criadas a partir das imagens captadas pelas câmeras de vigilância da Galeria Leme. Ao reposicionar as câmeras e apontá-las para a rua, para o lado de fora da galeria, a artista embaralha os papéis de vigilante e vigiado.
Cidades, ruas e edifícios estão monitorados por CCTV. Há sempre uma câmera de segurança por perto. A sociedade do espetáculo é a sociedade de vigilância: luz, câmera e ação. Mas que ação é essa? O que, exatamente, a imagem registra? Como escreve Arlindo Machado, em Máquina e Imaginário, “na tela dos monitores de vigilância, até mesmo o mais vulgar dos homens, como nos romances de Kafka, parece acometido de culpa; os cenários lembram insistentemente a paisagem de um crime que está prestes a ser cometido”. Nesse território, todos são suspeitos e nada é certo. Nada.
No trabalho de Regina Parra, as situações se revelam aos poucos, e nunca inteiramente – como um rumor, que se espalha sem confirmação nem desmentido, deixando um rastro de apreensão e receio.
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